Lilypie Second Birthday tickers

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quinta-feira, março 01, 2007

A todos os meus amigos

Não sei muito bem qual a razão, talvez nem haja nenhuma mas nestes últimos dias tenho dado comigo a recordar cenas do passado... o meu aniversário está a aproximar-se, talvez seja essa a razão... não sei e também não é importante...

Ontem à tarde, dei comigo a recordar uma célebre festa de Natal com o meu grupo de amigos...
Festa essa, feita no tempo em que saíamos sempre todos juntos, em que éramos um grupo muito unido, nos copos mas também no resto... eram divertidas e agradáveis as horas que passávamos juntos... tinhamos um passado em comum que era o basquete... alguns de nós continuavam a sua carreira desportiva mas os restantes, à medida que iam saindo continuavam a apoiar quem lá estava...
emocionávamo-nos com as conquistas uns dos outros e partilhávamos o que de bom e de mau nos sucedia... havia quem comentasse que não percebia como é que nos dávamos tão bem, sendo tantos mas penso que esse era mesmo o nosso segredo, a diversidade , que fazia as coisas fluirem muito bem...

Essa festa de Natal, foi feita numa casa velhinha que a A. tinha alugado no Marquês, na Rua das 12 Casas... Era muito velhota e pequenina mas isso não impediu que fosse o momento mais divertido e ternurento que, na minha opinião tivemos... o jantar de frangos comprados na churrasqueira do Marquês decorreu muito alegremente... trocámos os presentes, como era habitual e mais do que isso, trocamos a amizade e o carinho que tínhamos uns pelos outros... acabamos a noite a cantar canções de Natal em altos berros, entre muitas gargalhadas... não sei se foi de velhice ou das fifías... a lâmpada da sala onde estávamos explodiu com tanto barulho... depois disto o vizinho de cima apareceu a mandar-nos calar e nós, entre muitos riso lá fomos relutantemente para casa... acho que foi uma das noites mais divertidas da minha vida em que senti que estávamos em harmonia total e que a nossa amizade nunca ia acabar...

Talvez tivesse razão... talvez a nossa amizade nunca acabe... mas transformou-se...
A vida de cada um de nós, transformou-a...
Vieram os trabalhos, o stress, as diferenças... algumas decepções... enfim... acho que fomos ficando adultos e fomos deixando que as coisas esfriassem... o tempo começou a ser cada vez menos e com isso, e talvez por causa do afastamento que tínhamos sofrido, a vontade de prescindir de umas coisas para podermos ter outras também diminuiu...
Passei por várias fases... fases de decepção total, fases de desencanto, fases em que me sentia muito zangada... enfim... fases em que aparecíamos sem vontade de lá estar, o que piorava ainda mais as coisas....
Neste momento, sinto alguma paz em relação a todo este processo...
Penso que talvez pudesse ter feito mais para tentar manter as pessoas unidas... ao mesmo tempo, penso que talvez andasse enganada bastante tempo e as coisas já tivessem desabado sem que desse conta... há alturas que penso que fiz demais e outras que penso que baixei os braços cedo demais... não sei...

Apesar da distância, e do facto de, actualmente,. nos encontrarmos muito raramente, sinto-me agora completamente em paz com este assunto...

Continuam a ser os meus amigos...

Claro que tenho outros mais chegados que considero como minha família.... e desses, sei mesmo que nunca nada nem ninguém nos há-de afastar...
Tenho outros, chegados recentemente que me surpreendem pela positiva... talvez tenha começado a esperar menos das pessoas... e lentamente, estou de novo a mudar a minha opinão...

Tenho muita pena de termos pedido a intimidade que tínhamos e que só se consegue com muita convivência e muitas cumplicidades...
Se posso contar com eles incondicionalmente? Não sei... e espero nunca ter de vir a saber...

Mas de uma coisa sei... comigo podem contar, pois o meu coração estará sempre aberto para eles...

Dizem que não há amor como o primeiro... não concordo.

Acredito que amizades como as que se têm e se constroem da meninice para a adolescência e depois para a idade adulta, não há como as primeiras... pois a intensidade com que vivemos tudo é tão grande que deixa marcas impossiveis de apagar...
e por isso meus amigos dessa meninice, que comigo cresceram, onde quer que a vida nos leve hei-de estar sempre aqui...

1 comentário:

Pedro disse...

Ora bem, eu estive lá. Lá nessa casa velhinha da rua das doze casas, e em muitas outras festas/encontros com e sem motivos especiais que faziam de nós um grupo muito especial.

Concordo com tudo! De facto olho para trás com algum saudosismo e com muito boas recordações. Acho que tínhamos (e ainda temos) muita coisa em comum. Afinal começamos a conviver entre os 13/14 anos e alguns de nós esta semana já fizeram 33 (diga lá outra vez!!!). Se éramos mais inocentes? Mais tolerantes? Mais identificados? Talvez sim, talvez não, as verdadeiras razões não sei onde estão, sei que também não estou preocupado porque, mais vezes com uns do que com outros, tenho a privilégio de ainda nos encontramos e sairmos e falarmos e festejarmos e simplesmente ainda estarmos na via uns dos outros. Obvio (a idade não perdoa) que os copos de vinho e baldes de álcool foram substituídos por meias de leite e chávenas de chá, mas o que sempre lá esteve a unir-nos ainda lá está! Sim, talvez a vida nos tenha moldado um pouco, feito seguir caminhos diferentes, mas acho que nunca direcções opostas!

Tenho saudades, não dos jantares de natal, porque esses presumo que vieram para ficar para sempre, mas das vezes em que nos reuníamos sem razão aparente, sem motivo para festejar ou justificar a “festa”… lembram-se da célebre tentativa de pic-nic na serra de Arouca? Só mesmo nós e só mesmo para a nossa santa paciência… Ou melhor, só mesmo para a “nossa” amizade.

São pequenos detalhes que fazem com que as grandes coisas existam e tenham significado (li isto algures, que a minha cabecita já não dá para coisas destas…). Para mim todos têm muito(s) significado(s) e é por isso que sinto a vossa falta, que lamento não estarmos tantas vezes juntos, que continuo a sentar-me na bancada dos pavilhões de Portugal (e arredores), mas tal como tu, estou também em paz neste processo de mudança/adaptação que acho que ninguém desejou, mas que aconteceu.

Sobre o jantar de natal desse ano, só um pequeno pormenor: é desta que vamos descobrir o autor/a do famoso “chama o Gregório de natal”? Malta, já temos mais de 30 anos… já se passaram uns 7/8 anos do episódio… já podem dar um passo em frente  Eu mantenho a minha aposta da altura!!!

Finalmente termino dizendo que não tenho medo de medo de vir a saber se posso contar convosco incondicionalmente… Porquê? Porque… Porque as pequenas “batalhas” da minha vida têm me dito isso mesmo.

Muito obrigado por existirem na minha vida.

P.