Lilypie Second Birthday tickers

Lilypie Second Birthday tickers

sexta-feira, setembro 22, 2006

vovó ester

saudades ....

saudades de ser pequenina... saudades de miminhos... saudades da vovó Ester...


sempre viveu connosco... dormi com ela durante quase todos os 20 anos em que existimos juntas...
desde bebé que a minha mãe me habituou a dormir de mão dada com ela (por achar que eu estava sempre com as mãos frias) e quando me mudei do quarto dos meus pais para o da minha avó, as camas estavam muito longe uma da outra mas eu continuava a pedir para que me desse a mão e ela fazia-o... não me lembro como mas fazia-o...
o único período em que tive um quarto só meu, para aí 2 ou 3 anos, se tanto... lembro-me que, durante a noite acordava, saia do meu quarto e ia ter com ela... abria a porta muito devagarinho e esperava lá até ela acordar... ela olhava para mim, e dizia ”oh filha, outra vez? Anda cá...” e deitava-me e dormia com ela... nunca me mandou embora....
fazia-me vestidos e saias e camisolas... e cortava-me em bico as pontas das fitinhas que me punha nos totós com um laço muito bem armado...
fazia-me roupas para as minhas bonecas barriguitas... fez-me um vestido com touca igual estilo “Casa na Pradaria” para a minha barriguita preferida... ainda hoje os tenho guardados, acho que nunca me vou conseguir desfazer deles...
fazia sempre um bolo ao Domingo... o que eu adorava acordar cedo nesses dias e convencê-la a deixar-me ajudar nessa tarefa... raramente consegui ir além do deitar a farinha aos bocadinhos... ela dizia que os bolos tinham de se mexer sempre para o mesmo lado e nunca pareceu acreditar que eu o conseguisse fazer...
ía sempre levar-me à escola na Primária e carregava-me com a pasta e com a lancheira onde punha pão com marmelada e uma maçã... no Inverno tinha direito a um termos com leite com chocolate quentinho.... já quando andava no 5.º e no 6.º ano, ia buscar-me à escola no Inverno, à tarde, por que eu tinha medo de vir sozinha para casa por ser de noite e pedia-lhe...
quando eu fazia anos, fazia sempre o meu prato favorito e mimava-me como só ela sabia...
comprava-me cadernos para a escola e lápis... desenhava muito bem... e escrevia... por vergonha, nunca quis estudar para ser professora como o seu padrinho queria...
nunca me deixava dizer asneiras nem usar calão... se eu começasse uma frase por “Vocês....” era o fim da picada... caraças já era muito grave, imaginem o resto... (hihih, talvez por isso, ainda hoje detesto asneiras, ouvi-las e dizê-las....)
juntas cortávamos tirinhas de papel vegetal para fazer bolinhos de arroz em forminhas...
ficávamos as duas em casa ao Domingo à tarde a “papar” filmes e não havia séries que nos escapassem...
comprava-me sempre uma pulseira, daquelas que eu fazia com nózinhos, todos os verões para ganhar um escuditos para comprar bloquinhos com folhinhas perfumadas...

tanta coisa, tanta coisa...

sei que durante 20 anos da minha vida nunca acordei com um despertador porque era ela que, me perguntava todos os dias à noite a que horas queria acordar e no dia seguinte, entrava no quarto à hora marcada, subia a persiana e fazia-me um relato pormenorizado do tempo que estava ...
como eu ficava zangada contigo minha avó... sempre tive mau humor ao acordar e sempre detestei que falassem comigo na primeira hora a pé...
a verdade é que ainda hoje, não gosto de sair de casa sem saber o tempo que vai fazer... ainda ontem comentei isso com um colega... nunca me apercebi que podia estar relacionado contigo...
todas as manhãs, já mais crescidinha, quando saía de casa de manhã e antes de virar a esquina, olhava para trás para te dizer adeus... estavas sempre lá, à espera...

já não estás...

partiste cedo demais...

queria que me tivesses visto a acabar o meu curso...que soubesses que estou bem profissionalmente...
gostava que tivesses assistido ao meu casamento com aquele com quem comecei a namorar aos 19 anos e ainda conheceste. dizer-te que valeram a pena todos os dias em que, para me encobrires, mentiste à minha mãe, dizendo que eu tinha chegado cedo a casa na noite, ou melhor dizendo, na madrugada anterior....
gostava que me tivesses visto grávida e que agora mimasses o meu João como me mimaste a mim... ou ainda mais, se é que é possivel...
gostava que, quando digo a palavra avó, o João pensasse também em Ester como eu penso sempre invariavelmente...

partiste cedo demais...


já passaram 10 anos desde que já na tua inconciência sorriste ao ouvir a minha voz...
desde que partiste apenas depois da minha despedida...

a dor está lá fechada, não desapareceu... nunca vai desaparecer...
tenho saudades, muitas saudades... há dias melhores e outros piores... mas não um único que passe sem me lembrar de ti...
falo contigo quando preciso a olhar para o céu...


és e sempre serás,a estrela mais brilhante do meu céu...
adoro-te...
cuida de nós onde estiveres....



Sem comentários: